GRANDE MESTRE

09•11•08

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Há várias definições para ‘mestre’, mas se precisássemos apontar um exemplo bem próximo da gente para descrever um, poderíamos dar um pulo no Aterro do Flamengo todos os sábados, domingos e feriados e falar com o JJ. O simpático senhor de 77 anos faz do seu dia-a-dia uma verdadeira revolução na vida de pelo menos cem meninos, que é a média de alunos que ele treina por temporada nas quadras do Aterro. Tudo começou no dia que ele foi bater uma bola com os três filhos e alguns amigos deles e percebeu que tinham muitos moleques – não os filhos dele, claro – que não entendiam nada de futebol. E, aposentado, decidiu que iria treiná-los. De graça. Isso foi em agosto de 1988. De lá para cá, já foram dois mil e quinhentos moleques, e muitos craques, como Paulo Sérgio, jogador do Flamengo, Eduardo Allax, que está lá no Recife, jogando pelo Náutico, e Alexandre Acerola, do Criciúma, em Santa Catarina. Haja disposição! “Aceitamos qualquer tipo de criança ou adolescente, na escolinha eu formo homens também, faço a formação social, às vezes até a emocional, porque muitos vivem em favelas e lugares muito violentos”, explicou o mestre. “Mas eu nasci e cresci em favela, então eu mostro para eles que também tem um lado bom”. Vibrando pelo Nova Safra FC, um dos times formados em sua escolinha, ele se emocionou e chorou quando viu seus garotos conquistando a vaga na final do Batalha Das Quadras. “Isso é minha vida! É um presente de Deus!”. No fim do jogo que definiu a vitória, seu JJ foi carregado pelos meninos, e foi mais aplaudido que muito time que passou pelo Batalha nesses dias.